{"id":1136,"date":"2016-06-01T14:59:08","date_gmt":"2016-06-01T17:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/?p=1136"},"modified":"2023-07-07T15:00:27","modified_gmt":"2023-07-07T18:00:27","slug":"divorcio-litigioso-e-dano-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/divorcio-litigioso-e-dano-moral\/","title":{"rendered":"DIV\u00d3RCIO LITIGIOSO E DANO MORAL"},"content":{"rendered":"<p>Cinco s\u00e3o os deveres conjugais listados pelo legislador em nosso ordenamento jur\u00eddico: fidelidade rec\u00edproca, vida em comum no domic\u00edlio conjugal, m\u00fatua assist\u00eancia, sustento, guarda e educa\u00e7\u00e3o dos filhos e respeito e considera\u00e7\u00e3o m\u00fatuos. Referidos deveres est\u00e3o elencados no art.1.566 do C\u00f3digo Civil, dentro do cap\u00edtulo que disp\u00f5e sobre a efic\u00e1cia do casamento.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o rompimento da sociedade conjugal, em regra, no chamado div\u00f3rcio litigioso, pressup\u00f5e uma conduta ou um comportamento contr\u00e1rio aos deveres rec\u00edprocos vivenciados por um dos c\u00f4njuges. Assim, a infidelidade, por si s\u00f3, tem o cond\u00e3o de fundamentar um pedido de div\u00f3rcio, mas n\u00e3o tem o cond\u00e3o de gerar ao outro c\u00f4njuge o direito a uma indeniza\u00e7\u00e3o pela decep\u00e7\u00e3o vivenciada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9 sobre a possibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o ao c\u00f4njuge inocente quando o consorte rompe com os deveres acima descritos. \u00c9 cab\u00edvel indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais pelo div\u00f3rcio?<\/p>\n<p>A resposta, num primeiro momento, parece f\u00e1cil e \u00e9 dada em larga escala pelos tribunais. O simples rompimento com os deveres conjugais n\u00e3o \u00e9 suscet\u00edvel de gerar direito ao c\u00f4njuge inocente de perceber indeniza\u00e7\u00e3o pela frustra\u00e7\u00e3o e projetos desfeitos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1109\" src=\"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1466011626.jpg\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1466011626.jpg 442w, https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1466011626-300x191.jpg 300w, https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1466011626-18x12.jpg 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/p>\n<p>Contudo, se a hip\u00f3tese de rompimento extrapola os limites da normalidade, certamente que o direito \u00e0 percep\u00e7\u00e3o pelos abalos subjetivos poder\u00e1 emergir do fato. Imagina-se, por exemplo, a hip\u00f3tese de ruptura em que o var\u00e3o agride fisicamente a virago. N\u00e3o por acaso a Lei Maria da Penha cria mecanismos para coibir a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n<p>Outra hip\u00f3tese poss\u00edvel de ocorrer \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o em que o casal vivencia um longo per\u00edodo de namoro, organiza os preparativos, celebram o matrim\u00f4nio e 10 dias depois o c\u00f4njuge mulher descobre que o consorte tem um filho com outra pessoa, n\u00e3o noticiado durante os esponsais.<\/p>\n<p>Certamente que a possibilidade de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 vista com distanciamento pelos tribunais, que entendem que a simples frustra\u00e7\u00e3o de uma vida em comum desfeita n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de resposta pecuni\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas, a seu turno, demonstrados os requisitos da a\u00e7\u00e3o culposa e do dano sofrido, ligados por um nexo de causalidade, em um comportamento que extrapola os limites da razoabilidade de uma ruptura, certamente que o dever de indenizar poder\u00e1 emergir na dissolu\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo, desde que coloque o outro c\u00f4njuge em situa\u00e7\u00e3o de abalo aos chamados direitos da personalidade.<\/p>\n<p><b>*Artigo publicado por Val\u00e9rio Ribeiro na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba295 da\u00a0<a href=\"http:\/\/revistaemvoga.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Em Voga<\/a>\u00a0\u2013 Fevereiro de 2015<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco s\u00e3o os deveres conjugais listados pelo legislador em nosso ordenamento jur\u00eddico: fidelidade rec\u00edproca, vida em comum no domic\u00edlio conjugal, m\u00fatua assist\u00eancia, sustento, guarda e educa\u00e7\u00e3o dos filhos e respeito e considera\u00e7\u00e3o m\u00fatuos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1110,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-1136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1136"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1137,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136\/revisions\/1137"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}