{"id":782,"date":"2020-07-28T16:10:45","date_gmt":"2020-07-28T19:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/?p=782"},"modified":"2023-07-05T16:11:18","modified_gmt":"2023-07-05T19:11:18","slug":"vitoria-da-oftalmologia-no-supremo-tribunal-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/vitoria-da-oftalmologia-no-supremo-tribunal-federal\/","title":{"rendered":"VIT\u00d3RIA DA OFTALMOLOGIA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 12 anos em tramita\u00e7\u00e3o no\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Supremo Tribunal Federal<\/a>\u00a0foi conclu\u00eddo um importante julgamento em favor da classe oftalmol\u00f3gica e porque n\u00e3o dizer da classe m\u00e9dica. Trata-se do julgamento da Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental \u2013 ADPF n\u00ba 131, proposta em fevereiro de 2008 pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cboo.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conselho Brasileiro de \u00d3ptica e Optometria<\/a>.<\/p>\n<p>Pela decis\u00e3o do STF, com relatoria do Ministro Gilmar Mendes, os artigos 38, 39 e 41 do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1930-1949\/D20931.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Decreto 20.931\/32<\/a>\u00a0e os artigos 13 e 14 do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1930-1949\/D24492.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Decreto 24.492\/34<\/a>\u00a0foram declarados recepcionados pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>. Isso significa que as proibi\u00e7\u00f5es contidas nessas leis a respeito da optometria e do t\u00e9cnico em \u00f3ptica est\u00e3o em pleno vigor, sendo mantida a veda\u00e7\u00e3o desses profissionais em praticar atos privativos de m\u00e9dicos oftalmologistas.<\/p>\n<p>Ainda segundo o Ministro Gilmar Mendes, em seu voto, as proibi\u00e7\u00f5es conferidas aos optometristas por tais normas podem ser sintetizadas em: a) instala\u00e7\u00e3o de consult\u00f3rios isoladamente (art. 38 do Decreto 20.931\/32); b) confec\u00e7\u00e3o e venda de lentes de grau sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica (art. 39 do Decreto 20.931\/32); c) escolha, permiss\u00e3o de escolha, indica\u00e7\u00e3o ou aconselhamento sobre o uso de lentes de grau (art. 13 do Decreto 24.492\/34); e d) fornecimento de lentes de grau sem apresenta\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula \u00f3tica de m\u00e9dico sem diploma registrado (art. 14 do Decreto 24.492\/34).<\/p>\n<p>Vale destacar que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/pgr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Procuradoria Geral da Rep\u00fablica<\/a>, em parecer dado na ADPF 131, j\u00e1 havia consignado que a mera identifica\u00e7\u00e3o da ametropia como v\u00edcio de refra\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como sintoma de doen\u00e7a, j\u00e1 \u00e9 um diagn\u00f3stico m\u00e9dico, privativo, portanto. Na mesma linha deram parecer contr\u00e1rio aos interesses da classe optom\u00e9trica, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.agu.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Advocacia Geral da Uni\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 AGU e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cgu\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Controladoria Geral da Uni\u00e3o<\/a>\u00a0\u2013 CGU. Ambas entidades consignaram que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o impede o exerc\u00edcio profissional de nenhuma categoria de trabalhador, \u201cdesde que atendidos os requisitos legais\u201d.<\/p>\n<p>Na esteira do racioc\u00ednio jur\u00eddico, os decretos de 1932 e 1934, al\u00e9m de recepcionados pela nova ordem de 1988, tamb\u00e9m estariam alinhados com o artigo 5\u00ba, XIII e com o artigo 22, XVI do Texto Constitucional. No primeiro dispositivo, o legislador constituinte autorizou a liberdade profissional, por\u00e9m, desde que atendidas as qualifica\u00e7\u00f5es que a lei estabelecer. J\u00e1 o art. 22, XVI descreve ser compet\u00eancia privativa da uni\u00e3o legislar sobre condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio de qualquer profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Destaque para a brilhante atua\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cbo.net.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conselho Brasileiro de Oftalmologia<\/a>\u00a0\u2013 CBO e do\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.cfm.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conselho Federal de Medicina<\/a>\u00a0\u2013 CFM que, na qualidade de\u00a0<i>amicus curiae<\/i>, apontaram que para o estabelecimento de uma hip\u00f3tese diagn\u00f3stica \u00e9 necess\u00e1ria uma complexa e exaustiva forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o percebida pelo leigo, estruturada em mat\u00e9rias como l\u00f3gica, estat\u00edstica, anatomia, fisiologia, biof\u00edsica, patologia, proped\u00eautica, parasitologia, fisiopatologia, imunologia, pediatria, obstetr\u00edcia, e outras.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, a exist\u00eancia e o reconhecimento de cursos superiores em optometria n\u00e3o atribuem a esse profissional a capacidade e a compet\u00eancia privativa de m\u00e9dico oftalmologista. A aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da sa\u00fade visual e o diagn\u00f3stico de ametropias n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas a qualquer outro profissional que n\u00e3o seja o m\u00e9dico oftalmologista, sob pena de se agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ocular em nosso pa\u00eds, submetendo-a a riscos de diagn\u00f3sticos e prescri\u00e7\u00f5es equivocadas.<\/p>\n<p>E ratifica o Supremo Tribunal Federal ser livre o exerc\u00edcio de qualquer profiss\u00e3o, desde que atendidas as qualifica\u00e7\u00f5es que a lei estabelecer. Os decretos 20.931\/32 e 24.492\/34 est\u00e3o em pleno vigor e estabelecem o que pode e o que n\u00e3o pode ser feito pelo profissional da optometria.<\/p>\n<p><b>*Artigo publicado por\u00a0<a href=\"http:\/\/valerioribeiro.adv.br\/equipe\/valerio-augusto-ribeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Val\u00e9rio Ribeiro<\/a>\u00a0na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba361 da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.revistaemvoga.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Em Voga<\/a>.<\/b><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 12 anos em tramita\u00e7\u00e3o no\u00a0Supremo Tribunal Federal\u00a0foi conclu\u00eddo um importante julgamento em favor da classe oftalmol\u00f3gica e porque n\u00e3o dizer da classe m\u00e9dica.<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":783,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=782"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":784,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions\/784"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carlosp.com.br\/vr\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}